O MERCADO BELGA 2021

PARTE 2 - CARACTERIZAÇÃO DO TURISTA

Bruxelas, BE
2:45 am, August 30, 2025
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COMPORTAMENTO GERAL

A presente secção tem como principal objetivo mostrar algumas das mais recentes estatísticas e informações relevantes sobre os turistas do mercado belga. Estes destaques não dispensam uma leitura atenta das restantes partes que compõem este capítulo, em que aprofundamos os detalhes comportamentais sobre este turismo e a possibilidade de visitarem o nosso território nacional.

Sendo um mercado com uma componente de turismo internacional considerável e com uma reconhecida projeção de turistas para Portugal e muitos outros países mundiais, iremos começar este capítulo a interpretar o volume de visitas internacionais em comparação com as domésticas no que respeita ao mercado belga.

Conseguimos facilmente interpretar que existe uma preferência pelo turismo internacional, comprovando-se resultados acima dos 12M anuais de passageiros entre 2016 e 2019, ano onde se regista inclusive o maior volume de turismo com mais de 14M de viagens internacionais. As viagens domésticas apresentam igualmente um crescimento anual equilibrado durante o mesmo período, culminando desta forma o valor mais alto em 2019 com mais de 8,7M de turistas.

Havendo resultados que descrevem uma eleição inequívoca sobre as viagens para destinos internacionais, o perfil de pesquisa online dos turistas belgas reforça esse posicionamento sobre a procura de mais e melhor informação, registando um valor de 83% face a essa procura turística.

Sobre os inquéritos concretizados no primeiro trimestre de 2021 concluímos que o turista belga viaja maioritariamente em Família com filhos (44,1%), confirmando um resultado duas vezes maior do que o turismo que opta por viajar em casal (21,9%).

No entanto este perfil de turista revela valores de resposta iguais quando indica que opta por viajar em Família sem filhos ou sozinho (10,1%). As viagens que realiza em grupo de amigos sem filhos também traduz uma amostra notável (9,5%) sobre este mercado de turismo belga.

De acordo com o tempo de viagem, os turistas partilharam qual tinha sido a duração da última viagem internacional. Neste contexto verificámos que o resultado mais expressivo indica que 37,2% dos turistas refere que a experiência durou até duas semanas.

Pela interpretação gráfica, apuramos igualmente que o resultado da segunda maior percentagem de turistas belgas com uma representatividade de 26,7% indica que a duração das suas viagens teve um período de uma semana. Existe ainda uma tendência significativa para que as viagens possam durar menos do que 5 dias, com um resultado médio de 14,7%. Os períodos de viagem mais longos “de até” ou mais de um mês, representam para este mercado a soma de valores médios de participação menos expressivos (21,5%).

Através dos dados Digital Demand – D2© foi ainda possível perceber quais as cidades da Bélgica que mais procuram tópicos turísticos a nível global.

De forma particular, o mercado belga assinala que o valores de pesquisa estão distribuídos quase de forma equitativa entre as 5 cidades. Na capital Bruxelas verifica-se o valor de pesquisas mais alto com 29,3% de índice de procura turística. Antuérpia por sua vez regista 27,1% de pesquisas realizadas em motores de busca. Gante contempla 18,8% confirmando o terceiro valor mais revelador e em seguida identificamos a cidade de Liege com 14,4% e Charleroi com 10,5% fechando este top 5.

TENDÊNCIAS DO MERCADO

Antes de analisarmos o comportamento específico da Bélgica e do seu turismo em relação aos Açores, é fundamental ficarmos a conhecer genericamente o seu relacionamento com os restantes mercados e algumas das suas principais características.

Todos sabemos que a Bélgica é a capital da União Europeia e ao mesmo tempo uma monarquia constitucional. O território belga possui o maior número de castelos por metro quadrado do que qualquer outro país do mundo e entre várias particularidades conta com três línguas oficiais – holandês, francês e alemão. O chocolate é uma especialidade gastronómica do país e um ativo económico considerável como em nenhum outro país do Mundo.

Interpretando agora o volume de turismo belga não apenas pelo número de viajantes, iremos proceder à análise sobre quantas viagens se realizam dentro e para fora da Bélgica. Iniciaremos uma observação pelos destinos domésticos preferidos deste mercado, sendo essencial referir que o turismo belga contempla também a possibilidade de deslocações a vários países europeus pela sua proximidade geográfica.

Como podemos observar o turismo interno belga regista um valor bem expressivo, acima de 5,7M de dormidas na cidade de Bruxelas. A região de West-Vlaanderen concentra o segundo maior registo de turismo com um pouco mais de 4,4M e a cidade de Antuérpia com 2,6M perfazendo os destinos responsáveis pelo top 3. Limburg é uma província da Bélgica localizada na região de Flandres com um registo de 1,9M de dormidas, valor acima dos 1,3M que a província de Oost-Vlaanderen que compõe o top 5 deste mercado participativo de turismo doméstico.

No que toca aos destinos estrangeiros mais visitados pelo turista proveniente da Bélgica, destacamos os seguintes:

Pela proximidade geográfica que será certamente um fator decisivo, França representa o destino mais visitado com mais de 4,7M de turistas belgas, com uma diferença substancial para a Holanda que tem um registo de 2,1M de mercado. Espanha surge como o terceiro destino entre as preferências com mais de 1,8M e o top 5 conta ainda com a Alemanha com perto de 1,3M e a Itália com um resultado acima de 1,2M.

Constatando uma análise ao turismo belga no âmbito desta investigação, entendemos facilmente que as viagens internacionais são aquelas que se realizam com maior frequência.

Analisando o número de viagens em lazer nos últimos 5 anos podemos afirmar concretamente que há um resultado expressivo de 47,0% sobre os participantes que responderam que viajaram entre uma a três vezes. Por sua vez o número de turistas que afirma ter viajado entre 3 a 5 vezes exibe um resultado de 29,2% face aos 23,8% que confirmaram ter viajado mais do que 6 vezes no mesmo período.

Ao analisarmos os países mais pesquisados pelo mercado de turismo belga, mesmo que excluamos as pesquisas internas e as respetivas atividades turísticas, percebemos que o topo da lista refere países maioritariamente próximos pela distância geográfica e cultural.

A França com a maior quota de pesquisa de mercado externo situada nos 9,6% destaca-se dos restantes destinos que forma evidente. A Holanda surge como o segundo destino mais procurado assinalando uma quota de 5,1% seguida da Espanha com um mercado de 4,4%. Os países de Itália e Alemanha registam entre si a menor diferença entre os primeiros 5 destinos com quotas de mercado de 3,8% e de 3,6% respetivamente.

Portugal tendo a quota de mercado que ocupa a 10ª posição com 1,7% de resultados de pesquisa por parte do turista belga, encontra-se evidentemente atrás de países como o Luxemburgo (2,9%), a Áustria (2,0%), a Grécia e a Croácia com 1,8%.

Apesar do inegável Impacto da Pandemia no padrão de viagens e de pesquisas por parte do mercado da Bélgica, podemos ver que há países que continuam a crescer significativamente no que diz respeito às pesquisas por parte deste turismo.

Com um crescimento assinalável de 43,7% a Suíça é o país onde as pesquisas turísticas belgas mais cresceram entre 2019 e 2020. Nesta análise podemos também realçar que as pesquisas sobre o mercado francês assumem uma variação ascendente de 35,1%. Neste cenário também se destacam as pesquisas sobre a Áustria e a Holanda com um crescimento praticamente idêntico de 23%. Países como a Espanha, Itália e Suécia ainda apresentam uma variação expressiva, acima dos 10%.

PERFIL TEMÁTICO

Depois de uma breve interpretação às tendências geográficas do turismo belga, é importante realizarmos uma abordagem sobre quais são as suas temáticas primordiais. Neste subcapítulo iremos apurar algumas considerações e respostas a questões como:

Quais são os tópicos online mais procurados pelos turistas belgas?
Quais são os ativos turísticos ou as atividades que têm mais interesse?

Iremos apresentar estatísticas, indicadores, dados digitais e os principais resultados.

Tão importante como entender quais são os países e regiões nos quais o turismo belga demonstra ter mais interesse será esclarecer quais são os ativos, as características e as atividades que este mercado procura nas suas férias. Fazer uma relação entre os produtos turísticos mais procurados e a oferta que os Açores apresentam ao turista belga, pode ser um passo importante para a captação de mais volume de mercado e uma importante base para a criação de um forte indicador na promoção do turismo dos Açores neste território.

Numa análise sobre os resultados de motivação do turismo belga para a escolha de um destino, verificamos que os principais interesses indicam expressamente que o Sol e a Praia e a Natureza e as atividades de aventura são os que melhor definem essa escolha. A História e Cultura são igualmente temas com inúmeras vantagens e significativo interesse, com as atividades Familiares e náuticas a justificar valores da amostra determinantes no poder de escolha. As city breaks e a oferta de Spa e bem-estar registam uma participação interessante acima das 150 respostas, no que respeita às motivações deste mercado.

Com as pesquisas online realizadas a partir da Bélgica, percebemos que há uma clara tendência para temas mais genéricos nos lugares de topo das pesquisas temáticas.

Pela interpretação concluímos facilmente que viajar representa o tema global mais pesquisado pelo turismo belga confirmando uma quota de mercado de 17,1%. Com registos de quota de mercado entre os 4% e os 6% temos as pesquisas referentes aos pacotes de férias (4,9%) e ao campismo (5,9%). Posteriormente e com variações muito pouco expressivas podemos identificar os temas globais sobre os hotéis (2,9%), o turismo (2,8%), as praias (2,6%), as cidades (2,5%), as regiões (2,4%) e os locais a visitar (2,1%). As pesquisas sobre tours ou sobre as Ilhas, sobre a atividade de esquiar, sobre coisas a visitar ou a fazer e especificamente sobre casas exibem resultados de quota de mercado entre 1% e 2%.

No que diz respeito ao crescimento da variação anual do volume de pesquisas, vemos mais uma vez uma predominância genérica no topo da tabela.

A pesquisa pelo tema viajar, tal como na pesquisa global, confirma a variação mais significativa de crescimento na ordem dos 62,7%. As regiões com uma variação de 54,8% assumem a segunda posição de destaque à frente do tema sobre os vulcões com 19,3% de variação. Com um resultado muito próximo temos os monumentos e memoriais com 19,1% e compondo o top 5 destacamos o tema sobre resort de ski com 17,5%. Com variações muito semelhantes identificamos os temas sobre as maravilhas naturais (15,7%) e os lagos (15,6%). Acima de uma variação de 10% apuramos crescimentos de pesquisa em temas como compras e atividades de esquiar.

PERFIL DE INSPIRAÇÃO

Na análise de um mercado-alvo, um dos aspetos mais interessantes deve-se à metodologia utilizada na hora de procura de inspiração para viajar. Atualmente a predominância centra-se em meios online utilizando websites, motores de busca e até mesmo soluções mais interativas como as redes sociais. Há ainda organizações, contactos e meios tradicionais que produzem alguma influência na hora do turista decidir onde vai passar as suas próximas férias.

Neste subcapítulo vamos debruçar-nos sobre o perfil de inspiração do turismo belga.

Para definirmos um ponto de partida sobre as plataformas ou metodologias de promoção do destino Açores neste mercado específico é importante perceber como é que os turistas belgas tendem a procurar inspiração para viajar.

Os motores de busca revelam de forma inequívoca ser a principal fonte de inspiração que o turista belga procura quando conjuga esforços para a escolha do seu próximo destino de férias. Importa também referir que a Família e os Amigos têm um lugar de destaque assim como os websites de Marca que registam valores de amostra significativos para representação do top 3. Os fóruns online e as redes sociais exibem resultados de reconhecimento considerável perfazendo o top 5. Com indicadores menos favoráveis no que se refere à inspiração para a escolha da próxima viagem encontram-se as informações recolhidas em agências de viagens e sobre os media tradicionais.

No que diz respeito à ação propriamente dita, questionámos os turistas belgas mais experientes sobre de que forma tinham procedido à marcação da sua última viagem, verificando que grande parte das respostas indicou que o faria através de websites de reservas ou diretamente com agências de viagem e operadores turísticos.

Neste contexto reforçamos que a preferência por websites de reservas online traduz um resultado de 37,7%, e que face à segunda opção o valor desce para os 21,9%. As agências de viagens com pacotes de oferta específicos prevalecem sobre a solução sem esta oferta, assinalando a diferença de 20,0% para 11,9%.

PERFIL DE GASTOS

Compreender a tendência sobre o volume de gastos de um mercado desenvolve uma análise preponderante para interpretar a sua fiabilidade enquanto mercado-alvo. Através de questionários e estatísticas adequadas ao turismo mais frequente vamos tentar demonstrar o perfil de gastos do mercado belga, para a Região dos Açores.

Para procedermos a uma análise contextualizada, observámos a tendência de evolução dos gastos turísticos em viagens internas deste mercado.

De forma imediata confirmamos que as despesas médias diárias com alojamento neste período de cinco anos, revelam despesas mais avultadas nas viagens internacionais do que nas viagens domésticas, o que respeita a análise que temos vindo a efetuar no decorrer deste estudo. Subsiste inclusive um equilíbrio sobre as despesas inerentes aos destinos internacionais, onde podemos verificar que diferença entre a despesa média registada em 2018 é sensivelmente €57 mais baixa do que a maior despesa média que se verificou em 2016. Realizando uma analogia às despesas das viagens domésticas esta diferença aumenta para o valor de 60€ entre a despesa mínima registada em 2016 e a despesa mais alta de 2019.

Os participantes no âmbito deste estudo, foram questionados sobre qual o valor diário gasto por pessoa, no decorrer da sua última viagem.

Através de todas as respostas obtidas conseguimos perceber que o turista belga apresenta um perfil de gastos interessante, com grande expressividade sobre as várias possibilidades de resposta.

Importa destacar que a soma entre as duas maiores percentagens da amostra resulta em 47,1% e indica gastos entre 76€ a 200€ por dia num destino de férias. Devemos também realçar que os participantes que gastam até €75 ou entre €200 a €300 confirmam-se cerca de 30,7% de mercado se distribuem equitativamente neste resultado. Analisando também um valor considerável podemos afirmar que 14% deste turismo revela ter gasto mais de 401€ diários. Entre 301€ e 400€ encontramos ainda assim uma amostra representativa de turismo (8,3%) denotando um perfil de gastos com características médias-altas.

TENDÊNCIAS DE SAZONALIDADE

Após uma leitura atenta sobre os destinos, as inspirações e temas preferenciais do turismo da Bélgica, torna-se importante perceber o “quando”. Neste subcapítulo serão apresentados os períodos em que este mercado procura por tópicos relacionados com viagens e tudo aquilo que possa estar relacionado.

Iremos ainda identificar quando é que os turistas belgas procuram viajar para destinos como Portugal Continental e o Arquipélago dos Açores.

Numa análise gráfica comparativa percebemos que a sazonalidade de pesquisas regista um crescimento efetivo de abril a julho, onde culmina no seu pico de variação máximo com um resultado de 10,1%. Antes deste período constatamos uma outra pequena variação de crescimento de apenas 0,3% de fevereiro a março. Ainda sobre as pesquisas, depois de uma queda reveladora entre julho e setembro voltam a apresentar uma variação ascendente de 7,5% até 8,3% em dezembro.

Em relação à sazonalidade de dormidas o crescimento inicia-se logo no mês de fevereiro (onde inclusive se confirma o valor mais baixo de 6,2%), confirmando igualmente em julho o seu pico de valor mais alto, tal como acontece com as pesquisas. Registando um valor de 10,3% revela posteriormente uma variação decrescente que se acentua de outubro a novembro em 8,8% para 7,4%.

Sobre o período de pandemia que decorre desde 2020 e que desenvolveremos no próximo subcapítulo, iremos ainda destacar as intenções sazonais em 2021, de acordo com os turistas frequentes entrevistados no âmbito deste projeto.

O período de férias de fevereiro a maio é aquele que menos probabilidades apresenta de registar viagens internacionais face ao turismo belga, porque regista apenas 3,2% de objetivos. Em sentido contrário é durante os meses de junho e agosto que prevalece o maior interesse em viajar com 49,2% de mercado, podendo ainda assim somar a intenção de mais 27,7% de mercado com interesse sobre as férias durante o mesmo período. Importa ainda mencionar que entre os meses de fevereiro a maio e de setembro a dezembro registam-se exatamente os mesmos valores sobre a representatividade do mercado turístico belga, que correspondem a 7,7%.

Sobre os dados recolhidos entre estatísticas e entrevistas, percebemos que no ano de 2021 os feriados serão de particular importância na definição das férias dos Belgas, sendo por isso aconselhado que se coordenem campanhas para este mercado que coincidam com estas épocas festivas ou com as férias escolares na Bélgica:

2021 – Férias Escolares (Normativa Belga – pode variar entre regiões, níveis de escolaridade e instituições públicas/privadas de ensino):

Férias Escolares (1) – 15 de fevereiro a 21 de fevereiro
Férias Escolares (2) – 05 de abril a 18 de abril
Férias Escolares (3) – 13 de maio a 14 de maio
Férias Escolares (4) – 01 de julho a 31 de agosto
Férias Escolares (5) – 01 de novembro a 07 de novembro
Férias Escolares (6) – 27 de dezembro a 09 de janeiro de 2022

IMPACTO DA PANDEMIA

Este será um capítulo temporário face a este projeto, uma vez que se dedica em exclusivo à análise do impacto da Pandemia Covid-19 nos potenciais turistas da Bélgica. Será possível compreender com exatidão como é que a pandemia afetou os rendimentos, a vontade de viajar, as prioridades e pontos de vista dos turistas deste mercado face à possibilidade de viajar para destinos como o Arquipélago dos Açores.

Iniciaremos este tema pela questão económica. Um dos tópicos mais discutidos ao longo do último ano deve-se ao impacto da pandemia sobre o rendimento da maior percentagem de potenciais turistas para os Açores, e um país como a Bélgica não é certamente exceção.

Na vertente quantitativa deste estudo perguntámos a 750 turistas frequentes da Bélgica qual tinha sido o impacto da Covid-19 nos seus rendimentos:

Neste caso específico, verificamos que mais de metade desta amostra (55%) não sofreu qualquer impacto nos seus rendimentos até fevereiro de 2021. Cerca de 5% da amostra revela inclusive ter beneficiado financeiramente com este cenário, obtendo um aumento de rendimentos neste período. Numa perspetiva menos positiva, 28% dos participantes entrevistados no âmbito deste estudo revelaram que o seu rendimento diminuiu durante a pandemia e que 11% se encontra inclusive desempregado.

Os dados relativos aos rendimentos dos turistas do mercado belga neste cenário de pandemia demonstram de forma atípica, um impacto económico positivo em mais de 60% dos potenciais turistas. No início de 2021 quando foram conduzidos estes questionários, grande parte dos mercados-alvo dos Açores, encontravam-se numa situação delicada em termos de emprego em diversas indústrias e serviços, pelo que é importante continuar a acompanhar e perceber outras variações económicas que sejam igualmente relevantes.

Mesmo com um impacto económico evidente sobre o número de turistas deste mercado, era importante questionar se consideravam viajar por motivos de lazer durante o ano de 2021, interpretando essa pergunta com uma potencial explicação para viajar ou não.

Como podemos observar nos gráficos em epígrafe, apenas 34% da amostra revelou não estar disponível para viajar, sendo que 66% afirmou que tinha uma intenção contrária.

Entre os turistas belgas que afirmam não ter disponibilidade para viajar, 23,6% diz que não o fará devido a questões relacionadas com a Covid-19. Nesta análise 7,1% dos participantes justifica a sua decisão citando restrições financeiras e 3,5% devido a limitações de tempo como o principal motivo para não o fazer em 2021.

No entanto, será importante referir que sobre os entrevistados que afirmam estar disponíveis para viajar, 27,7% diz depender de um processo de vacinação eficaz, 26,7% respondeu que viajariam independentemente da situação pandémica e apenas 11,5% dos participantes garante que só viaja caso tenha sido devidamente vacinado/a.

Mesmo com algumas condicionantes e inúmeras limitações, questionámos os turistas que pretendem viajar em 2021 sobre qual a altura do ano que entendiam ser a indicada para viajarem em lazer.

É em qualquer altura ou no período de férias entre os meses junho a agosto que se confirmam os valores mais significativos sobre a disponibilidade de viajar. Os períodos de fevereiro a maio e de setembro a dezembro são também um forte indicador sobre a preferência do turismo belga em viajar exatamente sobre a mesma dimensão da amostra.

Estes dados demonstram que os turistas belgas continuam a planear as suas férias maioritariamente para o Verão. No entanto seja devido ao Carnaval, durante a época natalícia ou mesmo para a passagem de ano novo estes serão alguns exemplos que justificam estes períodos em que se preveem muitas viagens, mesmo com as atuais restrições impostas no espaço Europeu.

A última pergunta exclusiva feita a quem consideraria viajar em 2021 a partir deste mercado focou-se no destino mais provável da primeira viagem de lazer, podendo os entrevistados selecionar o turismo interno ou ao estrangeiro para qualquer um dos continentes do mundo.

Os turistas belgas elegeram a Europa como a primeira e clara opção de escolha com 41,2% de repostas. As viagens domésticas assumem o segundo destino de maior preferência com 20,7% de mercado, contrastando com os 12,7% sobre a decisão de viajar para o continente asiático que quase igualava a amostra de 12,6% face ao continente africano. Para concluir não podemos deixar de mencionar os 8,1% de mercado com interesse no continente americano e a pequena amostra de 1,5% que indica querer viajar para a Oceânia em 2021.

Verificando uma análise completa de quem consideraria ou não viajar no presente ano, confrontamos o turismo belga com um exercício de prioridades. Entre as 5 opções descritas no gráfico de apoio, os entrevistados teriam que avaliar um ranking de 1 (mais importante) a 5 (menos importante). Assim importa ter em conta na leitura do gráfico que quanto menor a pontuação média (valor que aparece no gráfico), mais importante será para este mercado turístico.

Podemos analisar e concluir graficamente que a preferência por destinos com equipamentos de saúde de qualidade é destacadamente a maior prioridade com um valor médio de 2,65. Em seguida identificamos uma preferência por destinos com enorme ligação à Natureza e posteriormente lugares menos populosos com valores médios de 2,73 e 2,99 respetivamente. Por fim, a possibilidade de causar um impacto social positivo regista um valor médio na ordem dos 3,20 e a proximidade de casa assume um papel menos importante na ótica dos viajantes do mercado turístico belga com 3,43. Estes resultados representam excelentes indicadores para o turismo dos Açores tanto pela ligação à natureza, qualidade em soluções de saúde e equipamentos médicos ou pela singularidade populacional.

No momento em que estas entrevistas foram realizadas, a Bélgica já se encontrava em início da fase de vacinação, é importante que os responsáveis pela promoção do turismo dos Açores se mantenham atentos à evolução da pandemia neste mercado. Para tal a Bloom Consulting disponibiliza nesta página toda a informação sobre número de casos, número de casos ativos, mortes, testes e sucesso de vacinação na Bélgica em tempo real:

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