O MERCADO DOS EUA 2021

PARTE 5 - CONCLUSÕES DO ESTUDO

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PRINCIPAIS CONCLUSÕES

1. Pela proximidade, pela relação histórica, pelas comunidades açorianas que vivem nos EUA e pelo facto de ser o país estrangeiro que mais dormidas regista em território açoriano, os EUA têm de ser considerados uma das prioridades para os Açores. Com um perfil muito errático durante o período da pandemia e uma tendência para viagens domésticas, para o México e para o Canadá é muito difícil perceber quando é que os turistas norte-americanos voltarão ao grande volume de viagens para os países europeus no período pós pandemia. Apesar de Portugal não figurar no top de países mais visitados nem pesquisados, a reputação do nosso país está em franco crescimento neste território.

2. Seja com a família (com filhos), em casal ou em modo solitário, os EUA assumem-se como um dos grandes mercados emissores de turistas a nível mundial, sendo as suas principais viagens entre uma e duas semanas. As maiores cidades tendem a ditar o maior número de pesquisas por destinos internacionais com New York, Houston, Dallas, Chicago e Atlanta entre as cidades que mais pesquisam e com México, Japão e Itália como países mais pesquisados.

3. Sol e Praia, Natureza e Aventura, História e Cultura e Atividades Náuticas constituem as principais motivações para que os viajantes frequentes dos Estados Unidos da América escolham o seu próximo destino, sendo que praias, maravilhas naturais, ilhas e vulcões estão entre os temas mais procurados proactivamente pelos turistas deste mercado. Foram mesmo as maravilhas naturais que mais cresceram no ano de 2020, acompanhados de temas como lagos, selvas e florestas, monumentos e castelos e fortalezas. No mercado dos EUA, os motores de busca são o principal instrumento utilizado na procura de inspiração para a escolha do próximo destino, sendo que a compra de pacotes através de agências e operadores supera a utilização de websites de reservas na hora da marcação de férias.

4. Analisando o ano de 2019 – antes de assistirmos aos efeitos da pandemia no comportamento do turista norte-americano, percebemos que a sazonalidade de pesquisas turísticas sobre destinos internacionais se mostra bastante equilibrado ao longo do ano, havendo picos ligeiros em Janeiro, Março, Julho e Setembro, enquanto as visitas se tendem a focar essencialmente em Março – em que se ocorreu o famoso Spring Break em 2019 – e nos meses de verão, em que a tendência de escolhas de destinos de sol e praia se manifesta na concentração de grandes volumes de turistas nesta altura do ano. Já considerando o ano de 2021, vemos uma intenção de viagem (entre os viajantes frequentes entrevistados no âmbito deste projeto) mais equilibrada ao longo do ano sendo, no entanto, os meses de Junho a Agosto os mais referidos nas intenções de viajar por parte dos norte-americanos. Tal como noutros mercados que têm como preferência viagens de média duração, é importante analisar os feriados nacionais e regionais e as férias escolares para perceber a melhor altura para promover viagens aos Açores neste vasto território.

5. O quadro de impacto financeiro que a pandemia deixou nos viajantes frequentes dos EUA numa situação bastante diferente à vivida no início de 2020. 10% perderam o emprego, 17% viram os seus rendimentos aumentarem e 34% viram os seus rendimentos diminuir. Apenas 38% da amostra revelou que não houve qualquer impacto da Covid-19 nos seus salários e rendimentos. Mesmo tendo em consideração este cenário, apenas 21% dos viajantes frequentes disse não considerar viajar em 2021, sendo a Covid-19 e as questões financeiras o seu principal obstáculo. Entre os que afirmam estar disponíveis para viajar, uma porção considerável afirma que os seus planos dependem do sucesso do processo de vacinação favorável. A grande maioria afirma que viajará dentro dos EUA, sendo a Europa o segundo destino mais provável, desde que sejam assegurados equipamentos de saúde de qualidade no destino e que o destino seja ligado à natureza. Este relatório contém informação em permanente atualização sobre a evolução da Covid-19 nos EUA, no capítulo “Impacto da Pandemia”.

6. Entre os norte-americanos, o conhecimento geral sobre Portugal é muito superior ao conhecimento sobre os Açores, sendo que, no entanto, a percentagem que afirma “conhecer bem” Portugal e Açores é bastante semelhante. Quer os Açores, quer Portugal gozam exclusivamente de avaliações positivas por parte dos viajantes frequentes, com os Açores a liderarem todas as categorias em análise: o clima, a sustentabilidade, qualidade do destino turístico, resposta à pandemia e segurança. Este é o único mercado analisado neste estudo em que os Açores conseguem estar sempre acima de Portugal em termos de perceções.

7. A oferta mais associada aos Açores pelos turistas dos Estados Unidos da América, está muito ligada à avaliação positiva do Clima na conclusão anterior. Na mente dos norte-americanos, o arquipélago é percebido como um destino primeiramente de sol e praia por uma elevada percentagem de viajantes frequentes. No entanto seguem-se Natureza e Aventura, Atividades Náuticas, História e Cultura e Whale Watching, sendo estas atividades muito características dos Açores e alguns dos seus maiores ativos turísticos. Mesmo depois da apresentação do destino – num contexto que não envolve Sol e Praia, apenas 6% dos viajantes norte-americanos afirmaram não ter interesse em visitar o arquipélago, sendo que 42% dedicariam uma viagem exclusiva aos Açores sem combinar com outros destinos. No entanto é importante ter em atenção que 10% dos turistas norte-americanos se recusariam a fazer escalas.

8. Apesar de pouco mais de um décimo dos turistas norte-americanos não estar disposto a gastar mais de 200€ numa passagem para os Açores, conseguimos perceber que grande parte dos turistas norte-americanos tem orçamentos e expectativas de preços de viagens bastante alinhadas com a realidade. Os custos praticados em Portugal, nos Açores e em Ponta Delgada estão muito abaixo daqueles que vigoram nos EUA, nas suas principais regiões e cidades, sendo este um fator interessante para a captação de turistas dos EUA.

9. Os Açores só são ultrapassados em termos de volume de visitas dos EUA pela AM Lisboa, Norte e Algarve. Com um rácio relativamente alto de pesquisa por turista, significa que há uma margem interessante para crescimento neste mercado, sendo, no entanto, necessário capitalizar o interesse dos norte-americanos na prática de mergulho, atividades costeiras, golf, lagos, florestas e maravilhas naturais, bem como apresentar-lhes tudo o que os Açores têm de melhor para oferecer aos seus visitantes.

10. Por fim, é relevante perceber que apesar da posição vantajosa do “visitazores” nos resultados das pesquisas online realizadas pelos turistas norte americanos e de fóruns cuja monitorização pode ser um passo importante, alguns dos principais contribuidores são agências de media. O facto de serem jornais e revistas online (como a “travelandleisure” e o “nytimes”) não é por si um problema, no entanto é muito mais complicado manter-se a informação, vídeos e imagens atualizados e alinhados com a estratégia dos Açores.

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